É tudo muito bonito mas vou ter que abandonar...

O fim do mundo, e isto muito pouca gente sabe, vai acontecer amanhã ao 12h15. É um privilégio até eu vos estar aqui a dar uma informação destas, mas como estive a falar com o senhor do Wikileaks antes de vir para cá, descobri nas meias palavras dele o que poucos queriam contar e entusiasmei-me. Eu como sou um rapaz sem medo ou sem consciência, como queiram, contarei o que sei. Apesar de andar por aí, e por aqui também, uma teoria que afirma a pés juntos e mão estendida à escuteiro, que o fim do mundo está marcado apenas para o ano que vem, eu pude confirmar que afinal parece que não. Acaba mesmo amanhã ao 12h15. Segundo as informações nas quais eu me informei, apesar das preocupações que o mundo tem para se manter rijo e bem conservado até ao ano de 2012, tornou-se difícil manter o seu eixo, nos eixos. Aliás, nos últimos tempos, várias são as acusações em que corroboram a ideia de o tal eixo andar a ser desviado para os maus caminhos. Não desviado no sentido de roubado, ou furtado vá, mas sim, desviado mesmo no sentido de desviar. Mudar de paisagens. Ou coordenadas geográficas para os mais nerds.

Algumas notícias saíram a público culpando o sismo que abalou o Chile em Fevereiro do passado ano, de desviarem o tão famoso eixo. Recentemente, o culpado foi o sismo do Japão. Foi então criado assim um complô contra um sismo que coitado, nem sequer foi um sismo à séria, foi apenas um sismo que atingiu uma mísera de uma magnitude, talvez reflexos da crise mundial em que vivemos não sei, mas que os nove de magnitude na escala do camarada Richter, são estúpidos e incompreensíveis, lá isso são. Cientistas vieram mesmo a público dizer que esse tal do sismo desviou o eixo da Terra, mas até para não muito longe. No entanto, e segundo esses cientistas o senhor do sismo terá conseguido desviar uns escandalosos 1.26 micro segundos de distância, fazendo com que os nossos dias se tornem ainda mais pequenos. Oh que chatice! E eu que digo que 24h não me chegam, assim começa a ficar praticamente impossível. Mas na verdade meus caros, quem desviou o eixo da terra foram as más companhias. A suspeita já se teria levantado do sofá aquando dos distúrbios causados pelo gang dos tsunamis em 2004 na zona do Indico, mas provas recentemente encontradas na casa do mesmo, provam a tentativa de integração num gang de sismos, sendo que na verdade o eixo já terá sido visto na companhia de outros gangs de outras catástrofes mais ou menos naturais. Foi mesmo confirmado que já não seria a primeira vez que o eixo tentava pôr-se a jeito para o tal do desvio, tendo inclusivamente chegado a parar por momentos durante a queda do Muro de Berlim, no 11 de Setembro e na última vez que o Sporting foi campeão. Esta última por incredulidade. A Terra bem pediu aos pólos, norte e sul, que tentassem manter o eixo bem comportado, sabendo de antemão que seria tarefa sempre complicada, uma vez que este gosta sempre de afirmar que é o mundo que gira em torno dele, e por essa razão é o mundo que se tem de portar como um menino bem comportado.

É uma triste notícia esta que hoje vos trago, é verdade, mas algum dia tinha que acontecer. E lamento profundamente a falta de timing para tudo isto acontecer. Tenho mesmo pena que o mundo acabe amanhã ao 12h15, até porque acaba antes do almoço, não permitindo sequer que possamos ter algum conforto no estômago. O mundo é cruel, eu já sabia, sobretudo para as pessoas que insistem em acabar com ele, mas suicidar-se sem sequer ter criado um evento no facebook é de um espirito maléfico algo insensível. O mundo amanhã, ao 12h15, vai dar a resposta cabal a toda essa gente, acabando com ele próprio, antes que outros o façam. Uma desilusão! Até porque vejamos, andam aqui pessoas a trabalhar anos e anos para isto, matando gente, destruindo coisas, instalando um clima de terror bonito e competente, e de repente, sem que ninguém o contasse, o mundo faz-nos uma destas. Eu acho inclassificável, um ultraje mesmo, ou como diria um qualquer ouvinte num qualquer fórum da TSF: "Isto é uma vergonha!".

E só assim se compreende um pouco o que tem acontecido nos últimos tempos. São muitas catástrofes juntas. São as enxurradas, são os sismos e os tsunamis, é o programa da Júlia Pinheiro e as eleições do Sporting. Ouçam, eu não tenho dúvidas que isto é um claro sinal do fim do Mundo. E pelo que me dá a parecer, usando uns cálculos que aqui calculei através da minha calculadora, isto vai ser precisamente amanhã ao 12h15. É muito chato? É, de facto é! Eu por exemplo ainda tinha uma série de coisas para fazer: resolver uma série de assuntos, tratar de uma série de papelada, ver a cara do Sócrates quando passar por alguém na rua, ver o Vitória a ganhar isto de uma vez por todas...! Mas o que vai acontecer ao 12h15 de amanhã, como que eu posso dizer isto sem magoar as pessoas... a verdade é que o Mundo vai mesmo acabar. E a confirmar-se, este é possivelmente o meu último texto por aqui (e por outro lado qualquer uma vez que o Mundo vai acabar todo), visto eu não acreditar na reencarnação. Quero pois dizer que gostei muito, que há coisas bem piores, embora neste momento não me esteja a ocorrer alguma, mas eu gosto sempre de dizer isto em alturas difíceis, continuando a reafirmar que foi um gosto muito grande. Muita saúde para todos vós e até mesmo para aquele ali atrás que está a tirar fardos de ranho do nariz. Até um qualquer dia. Não se esqueçam pois de acertar os relógios. É ao 12h15 de amanhã, e vai ser muito bonito. Acreditem.

Peace xD

Lisboa, uma questão central!

Lisboa é o centro de praticamente tudo neste país. Isso já não é novidade alguma. Assim como já não é novidade nenhuma que também passa algumas vezes por ser o centro das minhas atenções. Por estes dias, volta a ser o centro das atenções e por diversas razões que não me apetece estar agora aqui a enumerar. Mas o que é facto é que, quer para o bem ou para o mal, Lisboa é mesmo o centro deste país. Mais que não seja devido à sua localização geográfica. Lisboa também é o centro de socialização da classe mais nefasta e poluente deste país. A classe política, óbvio, que mais parecem alunos da 4ª classe por estes últimos dias. 
No entanto, Lisboa volta a estar no centro das atenções devido a um evento que em muito me seduz as vistas, embora já tenha perdido todo aquele êxtase que sentia quando ouvia as pessoas dizerem "eles vêem aí!". Pois bem, passados 37 anos Lisboa volta a ser não só o centro, mas como o ponto de partida do afamado Rali de Portugal. Mas tal como o bom português em alturas de férias da Páscoa, também o Rali de Portugal, se desloca às manadas para esse belo pedaço de costa lusitana que é o Algarve. O português transfigura-se quando sabe que vai para o Algarve. Há diversos e variados locais em Portugal, lindos por sinal, para passar as férias da Páscoa, mas não. O Algarve toca fundo no coração do português. Sobretudo quando sabe que o vizinho também para lá vai. 
Tudo começa na viagem. Como assim? Calminha. O peso do carro é logo o primeiro indicador. Percebemos que uma família vai para o Algarve quando o carro está com mais duzentos quilos do que devia, com o pára-choques traseiro a fazer faísca na estrada, uma fralda pendurada na janela de trás para o menino coitadinho não apanhar sol, e com um pack de 24 rolos de papel higiénico a tapar o vidro de trás da viatura, para facilitar o acidente. Até porque toda a gente sabe que o papel higiénico está a acabar no Algarve. Isso e a navalheira. São duas coisas que estão no fim dos fins. Se a mesma viatura tiver um triângulo a dizer "Criança a Bordo" da Milupa, com o Vitinho todo jeitoso, então nesse caso não se pode pedir muito mais a Deus. Deus, ao enviar-nos para a estrada ao mesmo tempo que esse carro já nos deu tudo o que tinha a dar.
Chegam então ao destino. O pára-choques de trás ratado e o condutor apresenta agora um boné de uma gasolineira qualquer (metamorfose que se faz sentir a meio caminho, lá para os lados de Setúbal). Pousam no hotel toda a mobília do T2 que veio na bagageira. E saem as pessoas em números que desafiam a lotação do carro. Começa então o fenómeno: Manadas e manadas de portugueses a correrem para a praia, como se a areia fosse acabar amanhã. A reacção normal seria: "Vamos ficar no quarto que está chuva e frio". Bem sei, mas isso é secundário. Se os convidassem para ir para a praia da Póvoa de Varzim num dia de inverno achariam ridículo, mas no Algarve já é outra coisa. É classe.
Dois fenómenos claramente portugueses: ir para os centros comerciais com sol e para a praia com chuva. Há, no entanto um ponto comum a estes dois fenómenos: o fato de treino (e quanto mais rosa choque ou verde fluorescente melhor). Vão de fato de treino NAIKE ou ARDIDAS para o shopping porque nunca se sabe se não vai lá estar a Vanessa Fernandes a fazer um triatlo entre a Zara, a Massimo Dutti e a Fnac, e sejamos sinceros, convêm estar vestidos a rigor nestas alturas. E vão de fato de treino para a praia porque os calções estão fora de questão, a não ser que queiram perder as duas perninhas com o gelo.
Chegam à praia. Sentam-se em cadeiras de praia a ler o Correio da Manhã e a comer sandes de leitão que trouxeram da Mealhada e guardaram numa geladeira. Os mais tímidos ficam a ler A Bola dentro do carro, enquanto a esposa dorme refastelada no lugar do pendura. Voltam a casa com os carros mais leves e com o profundo sentimento de dever cumprido. Para o ano há mais dizem.
Mas para quem se (ainda) interessa pelo Rali de Portugal, que não deixe de assistir. Mais que não seja, é sempre um motivo para tirar umas férias da companheira e seguir viagem com os amigos numa carrinha de nove lugares, com metade do stock da central de cervejas na mala e um porco no tejadilho para mais tarde lhe enfiar um espeto e passar a tarde a ver carros, aproveitando o pó para conferir ao porco um sabor especial. Vale bem a pena. Garanto. Ou então não garanto nada e fico-me apenas pela ideia do porco no espeto e do stock de cerveja que bem que morfava qualquer coisita.

Peace xD