Fumar Mata! So what?

Fumar realmente mata. É um facto! E está cientificamente provado que realmente pode nos conduzir até sete palmos a baixo da terra. Mas um camião em sentido contrário na A1 também, e não leva nenhum autocolante igual na grelha da frente. Digo isto porque aquando de uma compra de um SG Ventil numa tabaqueira a adorável senhora me diz com um ar extremamente simpático e até preocupado que: "olhe que fumar mata! Diz aqui e tudo...". E eu tudo bem. Se diz lá que fumar mata, então será melhor repensar no conceito de fumar. Como se, depois dos quilos e quilos de alcatrão que os fumadores foram decalcando nas auto-estradas dos pulmões, ainda ninguém tivesse chegado à conclusão que, epá... mata! Não que antes de anunciarem nos maços não matasse. Mas sempre é mais giro só revelar a surpresa na hora da compra. Antes morriam um bocado à toa, agora morrem com uma explicação da tabaqueira. Parece-me querido da parte deles. 
Mas mata, e é bom que assim seja. Até me deixa de certa forma aliviado. Somos muitos, na verdade. E cada um de nós existe muito. Logo, nada faz mais sentido. Nem todos fumam, o que deixa o mundo mais descansado em relação ao seu paradeiro. Não há nada mais aborrecido do que morrer de perfeita saúde, durante uma sessão de cardio-fitness. É até, se me permitem, estúpido. Motivo de chacota portanto. Se apanhasse alguém a morrer dessa forma, faria questão de durante o funeral, me fazer munir de um microfone e um amplificador de  tamanho considerável, e insultar o Sr. Felismino que morreu na passadeira do ginásio. É que é parvo, o homem. São pessoas que não têm o minímo sentido de morte. Morrer por morrer que se morra com estilo. Pessoas estúpidas irritam-me, mas pessoas que nem sequer sabem morrer, dão-me vontade de estrear as sapatilhas na boca delas. Morrer num jogging de sábado de manhã está ainda num patamar acima, em termos do ridículo, e também do constrangedor. Ninguém quer ser encontrado, esticado no circuito de manutenção do Parque da Cidade, com um fato de treino novo, ainda com os vincos de estar dobrado há meses, com um phones nos ouvidos (a ouvir provavelmente um qualquer cantor, também ele saudável), e com um coração em coma profundo. Nem a durante um jantar vegetariano, nem a fazer amor, nem na secção de legumes de um hipermercado. Todos estes panoramas disponíveis para uma morte, são, em ultima análise, absurdos. A morrer, que seja coberto de embalagens de fast-food, com um cigarro meio apagado no canto da boca, com duas linhas de cocaína prontas na mesa de vidro, e a ver video clips da Lady Gaga. Assim, morre-se com dignidade, na plena certeza que a primeira pessoa que o encontrar dirá: "Eu bem lhe disse que a televisão não estava para brincadeiras".
Peace ;)

n.d.r. - Este SG Ventil estava óptimo. (e esta publicidade também!)

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