Todos os anos lá vem ele todo emproado, cheio de espírto e com vontade de partir a porcelana toda, e este ano parece que gostou da vista e decidiu ficar por mais um tempo. Meio camuflado e tal, mas tem aparecido sempre. Todos os dias lá aparece, mas por umas horitas apenas. De manhã acorda tarde, preguiçoso talvez. De tarde não pára um segundo, gosta de se fazer notar e de se sentir falado. À noite desaparece sem deixar rasto, entregando-nos à mercê do seu amigo gélido que também resolveu aparecer mais cedo em vez do outro choramingas, companhia mais habitual por estas alturas. Assim um gajo fica um pouco confuso...
Não é que a gente se queixe que ele apareça, bem pelo contrário até, mas é que nesta altura do ano ele já devia andar por outras paragens, deixando-nos com aquele sentimento tão nosso, tão português, a saudade! Mas aparecendo era porreiro que não nos cravasse um copo seguido de um cigarrito e mais qualquer coisa, e nem um «até amanhã, fica bem» nos espirrasse na hora da partida! No fundo, é arrogante de sua parte, pronto! Há pessoal que o sente pelo conforto e liberdade que ele proporciona, outro porque anexado a ele vem aqueles tortuosos meses que se abatem nos estudantes (como é que se chamam aqueles três meses!? ah já sei, férias!), mas eu não. Eu assisto às suas notáveis visitas através de um outro factor. A saber, a mulher.
Vou ser mais explícito: trabalho num escritório onde o ambiente está regularizado (quase) sempre à mesma temperatura o ano inteiro e onde 2/3 da sua ocupação é da espécie feminina. O último dado é para mim de facto louvável, já que me entendo (quase) tão bem com elas como com eles. Ou quase sempre, porque quando começam a falar de vernizes Channel, sapatos Louboutin e tampões Evax, ou do casamento daquela amiga toda pintarola do primo que namorou com aquela vaca da enteada da sobrinha mais nova do Lopes da logística; o melhor é mesmo, fugir. Anyway, onde é que ia... ah, como a temperatura é (quase) sempre a mesma no interior do escritório, nem noto que as coisas mudam lá fora; só vejo os sinais através da mulherada que por aqui deambula. Um ombro à mostra, às vezes dois, umas pernas quase completamente à vista desarmada e até já vi alguns umbigos. A título de curiosidade: com o meu olhar de «connaisseur» consigo dizer em que estação estamos no momento. No fundo é por isso que olho para as mulheres, para saber qual é o tempo.
Mas nesta vida não é só coisas boas para nós, senhores do olhar atento! A mulher nesta temática supera o homem em larga escala, e aqui meus amigos não se ouve falar em desigualdade de direitos, pois não!? Ah pois. O homem, ser masculino (porque hoje em dia ser homem e masculino é já uma qualidade para poucos), tem de carregar um fato e gravata, dia sim, e no outro dia ora deixa lá ver... também sim! Nós homens, para podermos transpirar alguma credibilidade perante caríssimo senhor empresário - extremamente importante e milionário e que já passou férias no Dubai e mais qualquer coisa, mas que nunca teve o prazer de sujar os pés numa terra livre de poluição gananciosa - temos de andar com colarinho bem apertado e punho justo, enquanto as mulheres (essas grandes sofredoras) conseguem o mesmo «objectivo» com um vestido de seda e um decote avantajado. E tudo isto é justo? Gostava eu também de andar por aí com mais frivolidade generosa e mesmo assim ter direito a um bater de pala considerável. A mulher sofre muito na vida: é menstruações, menopausas, dar luz aos filhos, arrancar pêlos das pernas, fazer unhas e pestanas com a mesma necessidade de quem satisfaz as suas necessidade fisiológias, carregar sacos e sacos de compras todas as semanas, casar com milionários anormais... é verdade, ninguém desmente isso. Mas andar com uma amostra de tecido a cobrir o corpo e sentir uma brisa por entre outra nas pernas e não só, e mesmo assim manter um aspecto sério e profissional... deve justificar muito sofrimento.
Peace xD
Peace xD
n.d.r. um dia saio à rua de kilt vestido e cheio de liberdade encoberta... vão ver se não saio! E até sou menino para fazer o pino e tudo.
(ok, ok, eu prometo que para a próxima bebo menos absinto...)
3 comentários:
Hum... olha o sofrimento o horror o drama! ahahahah
E os homens detestam quando nos seus belos fatos e com bom aspecto captam os olhares femininos não é?
Olha a clientela a crescer, hein!?
Irritadinha, seja bem-vinda aqui ao nosso tasco, onde a "demência higiénica" também bebe uma mini ou outra.
Quanto à tua pergunta, toda a moeda tem o seu reverso minha cara... embora não tenha muito conhecimento de cauda para o poder afirmar! I'm here just for the beer.
Obrigado e volte sempre xD
Ora essa, muito obrigada. Sou irritadiça mas sou educada, retribuo as visitas que me fazem seja no tasco do Mental ou no tasco do Bag.
A minha pergunta foi realizada com base numa larga série de observações entre olhares femininos e os seus alvos.
A "demência higiénica" acho brilhante porque ontem eu só tinha sido chamada de "demente", porém acompanhada do "higiénica" já me parece algo positivo.
:)
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