Lisboa é o centro de praticamente tudo neste país. Isso já não é novidade alguma. Assim como já não é novidade nenhuma que também passa algumas vezes por ser o centro das minhas atenções. Por estes dias, volta a ser o centro das atenções e por diversas razões que não me apetece estar agora aqui a enumerar. Mas o que é facto é que, quer para o bem ou para o mal, Lisboa é mesmo o centro deste país. Mais que não seja devido à sua localização geográfica. Lisboa também é o centro de socialização da classe mais nefasta e poluente deste país. A classe política, óbvio, que mais parecem alunos da 4ª classe por estes últimos dias.
No entanto, Lisboa volta a estar no centro das atenções devido a um evento que em muito me seduz as vistas, embora já tenha perdido todo aquele êxtase que sentia quando ouvia as pessoas dizerem "eles vêem aí!". Pois bem, passados 37 anos Lisboa volta a ser não só o centro, mas como o ponto de partida do afamado Rali de Portugal. Mas tal como o bom português em alturas de férias da Páscoa, também o Rali de Portugal, se desloca às manadas para esse belo pedaço de costa lusitana que é o Algarve. O português transfigura-se quando sabe que vai para o Algarve. Há diversos e variados locais em Portugal, lindos por sinal, para passar as férias da Páscoa, mas não. O Algarve toca fundo no coração do português. Sobretudo quando sabe que o vizinho também para lá vai.
Tudo começa na viagem. Como assim? Calminha. O peso do carro é logo o primeiro indicador. Percebemos que uma família vai para o Algarve quando o carro está com mais duzentos quilos do que devia, com o pára-choques traseiro a fazer faísca na estrada, uma fralda pendurada na janela de trás para o menino coitadinho não apanhar sol, e com um pack de 24 rolos de papel higiénico a tapar o vidro de trás da viatura, para facilitar o acidente. Até porque toda a gente sabe que o papel higiénico está a acabar no Algarve. Isso e a navalheira. São duas coisas que estão no fim dos fins. Se a mesma viatura tiver um triângulo a dizer "Criança a Bordo" da Milupa, com o Vitinho todo jeitoso, então nesse caso não se pode pedir muito mais a Deus. Deus, ao enviar-nos para a estrada ao mesmo tempo que esse carro já nos deu tudo o que tinha a dar.
Chegam então ao destino. O pára-choques de trás ratado e o condutor apresenta agora um boné de uma gasolineira qualquer (metamorfose que se faz sentir a meio caminho, lá para os lados de Setúbal). Pousam no hotel toda a mobília do T2 que veio na bagageira. E saem as pessoas em números que desafiam a lotação do carro. Começa então o fenómeno: Manadas e manadas de portugueses a correrem para a praia, como se a areia fosse acabar amanhã. A reacção normal seria: "Vamos ficar no quarto que está chuva e frio". Bem sei, mas isso é secundário. Se os convidassem para ir para a praia da Póvoa de Varzim num dia de inverno achariam ridículo, mas no Algarve já é outra coisa. É classe.
Dois fenómenos claramente portugueses: ir para os centros comerciais com sol e para a praia com chuva. Há, no entanto um ponto comum a estes dois fenómenos: o fato de treino (e quanto mais rosa choque ou verde fluorescente melhor). Vão de fato de treino NAIKE ou ARDIDAS para o shopping porque nunca se sabe se não vai lá estar a Vanessa Fernandes a fazer um triatlo entre a Zara, a Massimo Dutti e a Fnac, e sejamos sinceros, convêm estar vestidos a rigor nestas alturas. E vão de fato de treino para a praia porque os calções estão fora de questão, a não ser que queiram perder as duas perninhas com o gelo.
Chegam à praia. Sentam-se em cadeiras de praia a ler o Correio da Manhã e a comer sandes de leitão que trouxeram da Mealhada e guardaram numa geladeira. Os mais tímidos ficam a ler A Bola dentro do carro, enquanto a esposa dorme refastelada no lugar do pendura. Voltam a casa com os carros mais leves e com o profundo sentimento de dever cumprido. Para o ano há mais dizem.
Mas para quem se (ainda) interessa pelo Rali de Portugal, que não deixe de assistir. Mais que não seja, é sempre um motivo para tirar umas férias da companheira e seguir viagem com os amigos numa carrinha de nove lugares, com metade do stock da central de cervejas na mala e um porco no tejadilho para mais tarde lhe enfiar um espeto e passar a tarde a ver carros, aproveitando o pó para conferir ao porco um sabor especial. Vale bem a pena. Garanto. Ou então não garanto nada e fico-me apenas pela ideia do porco no espeto e do stock de cerveja que bem que morfava qualquer coisita.
Peace xD
2 comentários:
Fantástico este texto...um relato bem descritivo daquilo que se passa!
Mas sinceramente que continuem a passear os fatos de treino no Algarve e no shopping's porque assim, sei que não me cruzo com eles ;)
XoXo
Obrigado Mary Poppins.
É ver-los às manadas... mas ao longe. O resto do país agradece. ;)
Peace xD
Enviar um comentário