Sair à noite em Lisboa com chuva, vento e frio é para mim quase tão agradável como espetar um prego enferrujado nas têmporas e depois raspar o prego nos dentes, só para ter a certeza que o tétano não se perde pelo caminho.
Mas hoje, e só mesmo hoje, mesmo com essas específicas condições, eu saia em Lisboa.
Mas hoje não sai. E não sai porque não andava por Lisboa. Um pormenor algo importante. Dizem alguns com os nervos.
Mas nunca fui muito de andar por Lisboa. é um facto.
Assim como é um facto também, que nunca fui muito à bola com lisboetas, pronto.
Mas é um facto também, que gosto de andar por Lisboa. Isso sim.
E já agora, é também ele um facto, que em certos e determinados momentos me percorre na mente a ideia de andar por Lisboa em certos e determinados momentos. Tivesse eu oportunidade e eu juro que andava.
E andar por Lisboa entenda-se, estar em Lisboa. Viver em Lisboa. Trabalhar em Lisboa. Tirar férias de Lisboa. Esse tipo de "andar". Conhecem-no, não conhecem? Eu sei. Mas fica bem perguntar.
E gosto de me limitar a uns míseros 100km quando existem mais 400km para cima e 300km para baixo, num total de (ora cá bem) quase 100 000km2, de um país que é um espectáculo.
Em Lisboa sente-se a falta da hombridade alheia, é certo. Sente-se falta de um pouco de ar puro, também é certo. Sente-se falta de ver o trocado chegar inteiro ao final do dia, pois tudo é mais caro que a média europeia. Tudo parece ser longe, demorado e confuso. Mas acima de tudo sente-se falta de um bom café. E de gente a falar comigo só porque não tem nada para fazer e estamos no mesmo sítio à mesma hora.
Mas Lisboa, e sou obrigado a reconhecer, tem uma vida própria que mais nenhuma outra cidade deste espectáculo de país tem. Tem uma identidade que em mim faz criar um desejo até que mais ou menos em por lá andar. Lisboa tem de tudo um pouco. Aqui e ali, um aroma inconfundível, ora doce ora salgado. Lisboa tem o Tejo e toda a sua plenitude. No centro, tem sete colinas e, em cada uma, há um bairro por desvendar. E por onde andar.
E esse meu andar começava, neste tal dia de hoje, por um encontro no Adamastor ao final de tarde, para um destrocar de minis e cajus enquanto se desbrava conversas sobre tudo e sobre nada e se escolhe a casa que pertence ao cozinheiro dessa noite que se seguia.
Jantávamos o que tínhamos a jantar e bebíamos o que tínhamos a beber.
Bairro Alto é (sempre) um dos locais iconificados.
E depois quando a noite assim o decidir, lá me deslocaria a um certo e determinado local.
Este local.
Este local.
Uma ideia interessante. Um projecto interessante. Uma banda composta por uma bateria siamesa, um baixo maior que o meu pai e teclados que te fazem sentir coisas. E depois mais dois nomes do melhores que se podem encontrar atrás de uma mesa de mistura, onde misturam sonoridades como quem mistura pinceladas de cor.
Desta vez, mesmo com chuva, vento e frio eu saia em Lisboa.
Só desta vez.
Só desta vez.
SÓ DESTA VEZ | 16 DEZEMBRO from Lux Fragil on Vimeo.
Peace xD
1 comentário:
Esta sábado, mesmo sentado no sofá, saí à noite em Lisboa com chuva, vento e frio, como se fosse uma quinta-feira. Aquela quinta-feira. Uma saída diferente. Um bom momento. E sabes o que de melhor tive neste passeio pela cidade? A companhia! TU!
Obrigado pelas sensações que nos provocas com as tuas palavras.
Enviar um comentário